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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Muçulmanos se unem a cristãos e fazem abstinência na Quaresma

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Jovens muçulmanos de diversos países fazem sacrifícios na Quaresma em solidariedade aos cristãos
Da redação, com Aleteia
Nesta Quaresma, muçulmanos do mundo inteiro estão mostrando solidariedade aos cristãos, abstendo-se de alguma coisa e postando fotografias do seu compromisso nas redes sociais.
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Esta jovem não consumirá outras bebidas, exceto água, durante os 40 dias da Quaresma / Foto: ‪#‎Muslim4Lent‬ – Facebook
Segundo o jornal The Independent, Bassel Riche, um jovem muçulmano estadunidense de 28 anos, foi quem criou a campanha, inspirando-se em algo que viveu na Universidade de Houston: estudantes não muçulmanos se unirão aos estudantes muçulmanos no “Fast-A-Thon” do Ramadã e, juntos, se reunirão em um grande salão, quebrarão o jejum todos unidos, jantarão e começarão um diálogo inter-religioso.
A hashtag #Muslim4Lent é usada para a campanha e promovida por meio do Twitter e Facebook.
Riche decidiu motivar seus amigos muçulmanos a unir-se a ele e muitos o fizeram, de países como Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Austrália, Espanha, Malásia, Líbano, Egito, Palestina e Paquistão.
“O objetivo é agradecer aos muitos cristãos que sempre demonstraram amor e respeito com relação ao islã, mostrando a cada um que temos o máximo respeito pelas suas crenças”, comentou Riche.
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Esta outra jovem muçulmana ficará os 40 dias da Quaresma sem os lanches de uma famosa rede de fast-food americana / Foto: ‪#‎Muslim4Lent‬ – Facebook
O jovem disse ao The Huffington Post que as reações de muçulmanos e cristãos foram positivas. “Muitos dos meus amigos cristãos responderam mostrando seu apoio e reconhecimento por estes esforços inter-religiosos. Espero que isso seja só o começo.”
Ele afirmou que a campanha oferece a oportunidade de abrir um diálogo e um maior entendimento entre as confissões e é um importante caminho para expressar solidariedade, após as sequelas das atrocidades cometidas por extremistas islâmicos, como as de Paris e Copenhague, bem como as recentes decapitações dos 21 cristãos coptas na Líbia.
Riche também é o fundador de EidPrayLove, um site que tem como objetivo mostrar o islã como uma religião de paz.
“Apesar do que os extremistas fizeram para sequestrar a nossa religião, acreditamos na paz, no amor, na tolerância e na harmonia com outras religiões. Não queremos que nos vejam como uma religião distante e estranha, queremos ser acessíveis para que as pessoas se abram a nós. Esta é a única maneira de podemos combater a desinformação”, explicou.
As fotos tuitadas dos participantes muçulmanos na campanha #Muslim4Lent mostram as diversas coisas às quais estão renunciando nesta Quaresma, incluindo: compras online, doces, chocolates, fast food etc. 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O significado da Quaresma para nós Cristãos

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O significado da Quaresma para nós Cristãos


A quaresma tem seu inicio na quarta-feira de cinzas e seu término ocorre na Sexta-feira santa, até a celebração da Missa da Ceia do Senhor Jesus Cristo com os doze apóstolos... os católicos realizam a preparação para a Páscoa. O período é reservado para a reflexão, a conversão espiritual. Ou seja, o católico deve se aproximar de Deus visando o crescimento espiritual. Os fiéis são convidados a fazerem uma comparação entre suas vidas e a mensagem cristã expressa nos Evangelhos. Esta comparação significa um recomeço, um renascimento para as questões espirituais e de crescimento pessoal. O cristão deve intensificar a prática dos princípios essenciais de sua fé com o objetivo de ser uma pessoa melhor e proporcionar o bem para os demais.A quaresma vai a até a páscoa quando o Senhor ressucita.
Essencialmente, o período é um retiro espiritual voltado à reflexão, onde os cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para a acolhida do Cristo Vivo, Ressuscitado no Domingo de Páscoa. Assim, retomando questões espirituais, simbolicamente o cristão está renascendo, como Cristo. Todas as religiões têm períodos voltados à reflexão, eles fazem parte da disciplina religiosa. Cada doutrina religiosa tem seu calendário específico para seguir. A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que significa penitência. O roxo no tempo da quaresma não significa luto e sim simboliza que a igreja está se preparando espiritualmente para a grande festa da páscoa, a ressurreição de Jesus Cristo.
Cerca de duzentos anos após o nascimento de Cristo, os cristãos começaram a preparar a festa da Páscoa com três dias de oração, meditação e jejum. Por volta do ano 350 d. C., a Igreja aumentou o tempo de preparação para quarenta dias. Assim surgiu a Quaresma.

QUARENTA DIAS

O tempo da quaresma é de quarenta dias, porém em dias corridos somam quarenta e sete pois, de acordo com o cristianismo, o domingo, que já é dedicado como o dia do Senhor, durante a quaresma não é contado. Após esse período, se inicia o Tríduo Pascal, que termina noDomingo de Páscoa. Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material. Os zeros que o seguem significam o tempo de nossa vida na terra, suas provações e dificuldades. Portanto, a duração da Quaresma está baseada no símbolo deste número na Bíblia. Nela, é relatada as passagens dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias de Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou a estada dos judeus no Egito, entre outras. Esses períodos vêm sempre antes de fatos importantes e se relacionam com a necessidade de ir criando um clima adequado e dirigindo o coração para algo que vai acontecer. Antes de iniciar sua vida pública, logo após ter sido batizado por João no rio Jordão, Jesus passou 40 dias no deserto. Esse retiro de Jesus mostra a necessidade que ele teve em se preparar para a missão que o esperava. Contam os Evangelhos que no deserto Jesus era conduzido pelo Espírito, o que quer significar que vivia em oração e recolhimento, discernindo a vontade de Deus para sua vida e como atuaria a partir de então. No tempo que passou no deserto Jesus teve uma profunda experiência de encontro com o Pai. E, tendo vivido intensamente esse encontro, foi tentado pelo diabo.As tentações que Jesus viveu são apresentadas como aquelas que também os cristãos precisam viver. É por isso então, que os cristãos realizam uma penitência de quarenta dias, chamada quaresma.

TEMPO DE ORAÇÃO

A Quaresma é o tempo litúrgico de conversão, que a Igreja Católica,  marcam para preparar os fiéis para a grande festa da Páscoa. Durante este período, os seus fiéis são convidados a um período de penitência e meditação, por meio da prática do jejum, da esmola e da oração. Ao longo deste período, sobretudo na liturgia do domingo, é feito um esforço para recuperar o ritmo e estilo de verdadeiros fiéis que pretendem viver como filhos de Deus.
A Igreja Católica propõe, por meio do Evangelho proclamado na Quarta-feira de Cinzas, três grandes linhas de ação: a oração, a penitência e a caridade. Não somente durante a Quaresma, mas em todos os dias de sua vida, o cristão deve buscar o Reino de Deus, ou seja, lutar para que exista justiça, a paz e o amor em toda a humanidade. Os cristãos devem então recolher-se para a reflexão para se aproximar de Deus. Esta busca inclui a oração, a penitência e a caridade, esta última como uma consequência da penitência.

Padre destaca pontos principais para vivência da Quaresma

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No artigo desse mês, padre Anderson fala da Quaresma, tempo de conversão do coração diante das necessidades dos outros
Padre Anderson Marçal
Doutor em Teologia Pastoral Bíblico-Litúrgica
padre andersonQuaresma: tempo de encontros
Com a celebração das cinzas, damos início ao grande e forte tempo de oração, penitência e Jejum, que se pode também traduzir por tempo de partilha. É o tempo de conversão do coração humano ante as necessidades dos outros.
Como o próprio nome diz, são quarenta dias de penitência que nos preparam para a celebração da vitória final da graça sobre o pecado e da vida sobre a morte. Durante estes dias, a nossa oração se torna mais intensa e a penitência mais acentuada. É um tempo de retorno a Deus, de conversão e de abertura aos outros. Quaresma é realmente o tempo de reflexão em nossa vida, de entender aonde vamos, de analisar como está nosso comportamento com nossa família, o marido, a esposa, os filhos, os pais e todos os que nos rodeiam.
O Evangelho da quarta de cinzas nos oferece uma ajuda, e nos faz entender como praticar as três obras de penitência – oração, esmola e jejum – e como utilizar bem o tempo da Quaresma. Jesus fala das três obras de piedade dos judeus: a esmola, o jejum e a oração; e faz uma crítica pelo fato de que eles as praticam para serem vistos pelos outros. Para Jesus, é preciso criar uma nova relação com Deus, e ao mesmo tempo Ele nos oferece um caminho de acesso ao coração de Deus. Para Ele, a justiça consiste em conseguir o lugar onde Deus nos quer. O caminho para chegar ali está expresso na Lei de Deus. “Se a vossa justiça não superar a justiça dos doutores da Lei e dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus”.
É tempo da prática do jejum. O jejum tem certamente uma dimensão física, como a privação voluntária de alimentos. O que jejuamos deve ser partilhado, ou seja, entregue aos nossos irmãos que passam fome. É e sobretudo a privação do pecado. O jejum é sinal do combate contra o espírito do mal. O modelo deste combate é Cristo, que foi tentado muitas vezes ao sucesso, ao domínio e à riqueza. No entanto, a sua vitória sobre todo o mal que oprime o homem inaugurou um tempo novo, um reino de justiça, de verdade, de paz, de amor e de partilha.
A experiência do jejum exterior e interior favorece a opção pelo essencial. No nosso tempo, o jejum tornou-se uma prática habitual. Alguns jejuam por razões dietéticas e estéticas. O jejum cristão não tem uma dimensão dietética ou estética como é prática nos nossos dias, mas sim uma referência Cristológica e solidária com os nossos irmãos e irmãos excluídos da sociedade por causa de diversas condições: raciais, religião, cor, tribo, língua etc. Como Cristo e com Cristo, jejuamos para sermos mais solidários e abertos ao outro. Sob várias formas podemos jejuar, como por exemplo, o jejum midiático da televisão, da internet, do celular, da língua e etc; para redescobrirmos a beleza do diálogo em família, da partilha de interesses, do encontro e da comunhão com os irmãos.
Quando, como cristãos, vivemos bem o jejum, nos convertemos em seres solidários, seres que partilham tudo entre todos. Ninguém chamará de ’seu’ o que possui. Por outras palavras, atualizaremos o Atos dos Apóstolos 2,42 que é a essência do cristianismo. A relação dinâmica entre o amor e a adesão a Cristo, fazem do gesto de ajuda, expresso na esmola, uma partilha fraterna e não uma esmola humilhante.
Quaresma é tempo de dar esmola, e esta nos ajuda a vencer a incessante tentação, educando-nos para ir ao encontro das necessidades do próximo e partilhar com os outros aquilo que, por bondade divina, possuímos. Tal é a finalidade das coletas especiais para os pobres, que são promovidas em muitas partes do mundo durante a Quaresma. Desta forma, a purificação interior é confirmada por um gesto de comunhão eclesial, como acontecia já na Igreja primitiva.
O amor é criativo e encontra formas sempre novas de viver a fraternidade. Permite-nos que contribuamos para a sinceridade do coração e a coerência das atitudes no caminho da paz. Faz-nos evitar a crítica maldizente, os preconceitos e os juízos acerca dos outros, favorece a autenticidade da vida cristã. E tem como obstáculos a vencer o egoísmo e orgulho, que impedem a generosidade do coração.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2015

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brasão do Papa Francisco
MENSAGEM

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2015
Terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Boletim da Santa Sé
“Fortalecei os vossos corações” (Tg 5, 8)
Amados irmãos e irmãs,
Tempo de renovação para a Igreja, para as comunidades e para cada um dos fiéis, a Quaresma é sobretudo um «tempo favorável» de graça (cf. 2 Cor 6, 2). Deus nada nos pede, que antes não no-lo tenha dado: «Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro» (1 Jo 4, 19). Ele não nos olha com indiferença; pelo contrário, tem a peito cada um de nós, conhece-nos pelo nome, cuida de nós e vai à nossa procura, quando O deixamos. Interessa-Se por cada um de nós; o seu amor impede-Lhe de ficar indiferente perante aquilo que nos acontece. Coisa diversa se passa connosco! Quando estamos bem e comodamente instalados, esquecemo-nos certamente dos outros (isto, Deus Pai nunca o faz!), não nos interessam os seus problemas, nem as tribulações e injustiças que sofrem; e, assim, o nosso coração cai na indiferença: encontrando-me relativamente bem e confortável, esqueço-me dos que não estão bem! Hoje, esta atitude egoísta de indiferença atingiu uma dimensão mundial tal que podemos falar de uma globalização da indiferença. Trata-se de um mal-estar que temos obrigação, como cristãos, de enfrentar.
Quando o povo de Deus se converte ao seu amor, encontra resposta para as questões que a história continuamente nos coloca. E um dos desafios mais urgentes, sobre o qual me quero deter nesta Mensagem, é o da globalização da indiferença.
Dado que a indiferença para com o próximo e para com Deus é uma tentação real também para nós, cristãos, temos necessidade de ouvir, em cada Quaresma, o brado dos profetas que levantam a voz para nos despertar.
A Deus não Lhe é indiferente o mundo, mas ama-o até ao ponto de entregar o seu Filho pela salvação de todo o homem. Na encarnação, na vida terrena, na morte e ressurreição do Filho de Deus, abre-se definitivamente a porta entre Deus e o homem, entre o Céu e a terra. E a Igreja é como a mão que mantém aberta esta porta, por meio da proclamação da Palavra, da celebração dos Sacramentos, do testemunho da fé que se torna eficaz pelo amor (cf. Gl 5, 6). O mundo, porém, tende a fechar-se em si mesmo e a fechar a referida porta através da qual Deus entra no mundo e o mundo n’Ele. Sendo assim, a mão, que é a Igreja, não deve jamais surpreender-se, se se vir rejeitada, esmagada e ferida.
Por isso, o povo de Deus tem necessidade de renovação, para não cair na indiferença nem se fechar em si mesmo. Tendo em vista esta renovação, gostaria de vos propor três textos para a vossa meditação.
1. «Se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros» (1 Cor 12, 26): A Igreja.
Com o seu ensinamento e sobretudo com o seu testemunho, a Igreja oferece-nos o amor de Deus, que rompe esta reclusão mortal em nós mesmos que é a indiferença. Mas, só se pode testemunhar algo que antes experimentámos. O cristão é aquele que permite a Deus revesti-lo da sua bondade e misericórdia, revesti-lo de Cristo para se tornar, como Ele, servo de Deus e dos homens. Bem no-lo recorda a liturgia de Quinta-feira Santa com o rito do lava-pés. Pedro não queria que Jesus lhe lavasse os pés, mas depois compreendeu que Jesus não pretendia apenas exemplificar como devemos lavar os pés uns aos outros; este serviço, só o pode fazer quem, primeiro, se deixou lavar os pés por Cristo. Só essa pessoa «tem a haver com Ele» (cf. Jo 13, 8), podendo assim servir o homem.
A Quaresma é um tempo propício para nos deixarmos servir por Cristo e, deste modo, tornarmo-nos como Ele. Verifica-se isto quando ouvimos a Palavra de Deus e recebemos os sacramentos, nomeadamente a Eucaristia. Nesta, tornamo-nos naquilo que recebemos: o corpo de Cristo. Neste corpo, não encontra lugar a tal indiferença que, com tanta frequência, parece apoderar-se dos nossos corações; porque, quem é de Cristo, pertence a um único corpo e, n’Ele, um não olha com indiferença o outro. «Assim, se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é honrado, todos os membros participam da sua alegria» (1 Cor 12, 26).
A Igreja é communio sanctorum, não só porque, nela, tomam parte os Santos mas também porque é comunhão de coisas santas: o amor de Deus, que nos foi revelado em Cristo, e todos os seus dons; e, entre estes, há que incluir também a resposta de quantos se deixam alcançar por tal amor. Nesta comunhão dos Santos e nesta participação nas coisas santas, aquilo que cada um possui, não o reserva só para si, mas tudo é para todos. E, dado que estamos interligados em Deus, podemos fazer algo mesmo pelos que estão longe, por aqueles que não poderíamos jamais, com as nossas simples forças, alcançar: rezamos com eles e por eles a Deus, para que todos nos abramos à sua obra de salvação.
2. «Onde está o teu irmão?» (Gn 4, 9): As paróquias e as comunidades
Tudo o que se disse a propósito da Igreja universal é necessário agora traduzi-lo na vida das paróquias e comunidades. Nestas realidades eclesiais, consegue-se porventura experimentar que fazemos parte de um único corpo? Um corpo que, simultaneamente, recebe e partilha aquilo que Deus nos quer dar? Um corpo que conhece e cuida dos seus membros mais frágeis, pobres e pequeninos? Ou refugiamo-nos num amor universal pronto a comprometer-se lá longe no mundo, mas que esquece o Lázaro sentado à sua porta fechada (cf. Lc 16, 19-31)?
Para receber e fazer frutificar plenamente aquilo que Deus nos dá, deve-se ultrapassar as fronteiras da Igreja visível em duas direcções.
Em primeiro lugar, unindo-nos à Igreja do Céu na oração. Quando a Igreja terrena reza, instaura-se reciprocamente uma comunhão de serviços e bens que chega até à presença de Deus. Juntamente com os Santos, que encontraram a sua plenitude em Deus, fazemos parte daquela comunhão onde a indiferença é vencida pelo amor. A Igreja do Céu não é triunfante, porque deixou para trás as tribulações do mundo e usufrui sozinha do gozo eterno; antes pelo contrário, pois aos Santos é concedido já contemplar e rejubilar com o facto de terem vencido definitivamente a indiferença, a dureza de coração e o ódio, graças à morte e ressurreição de Jesus. E, enquanto esta vitória do amor não impregnar todo o mundo, os Santos caminham connosco, que ainda somos peregrinos. Convicta de que a alegria no Céu pela vitória do amor crucificado não é plena enquanto houver, na terra, um só homem que sofra e gema, escrevia Santa Teresa de Lisieux, doutora da Igreja: «Muito espero não ficar inactiva no Céu; o meu desejo é continuar a trabalhar pela Igreja e pelas almas» (Carta 254, de 14 de Julho de 1897).
Também nós participamos dos méritos e da alegria dos Santos e eles tomam parte na nossa luta e no nosso desejo de paz e reconciliação. Para nós, a sua alegria pela vitória de Cristo ressuscitado é origem de força para superar tantas formas de indiferença e dureza de coração.
Em segundo lugar, cada comunidade cristã é chamada a atravessar o limiar que a põe em relação com a sociedade circundante, com os pobres e com os incrédulos. A Igreja é, por sua natureza, missionária, não fechada em si mesma, mas enviada a todos os homens.
Esta missão é o paciente testemunho d’Aquele que quer conduzir ao Pai toda a realidade e todo o homem. A missão é aquilo que o amor não pode calar. A Igreja segue Jesus Cristo pela estrada que a conduz a cada homem, até aos confins da terra (cf. Act 1, 8). Assim podemos ver, no nosso próximo, o irmão e a irmã pelos quais Cristo morreu e ressuscitou. Tudo aquilo que recebemos, recebemo-lo também para eles. E, vice-versa, tudo o que estes irmãos possuem é um dom para a Igreja e para a humanidade inteira.
Amados irmãos e irmãs, como desejo que os lugares onde a Igreja se manifesta, particularmente as nossas paróquias e as nossas comunidades, se tornem ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença!
3. «Fortalecei os vossos corações» (Tg 5, 8): Cada um dos fiéis
Também como indivíduos temos a tentação da indiferença. Estamos saturados de notícias e imagens impressionantes que nos relatam o sofrimento humano, sentindo ao mesmo tempo toda a nossa incapacidade de intervir. Que fazer para não nos deixarmos absorver por esta espiral de terror e impotência?
Em primeiro lugar, podemos rezar na comunhão da Igreja terrena e celeste. Não subestimemos a força da oração de muitos! A iniciativa 24 horas para o Senhor, que espero se celebre em toda a Igreja – mesmo a nível diocesano – nos dias 13 e 14 de Março, pretende dar expressão a esta necessidade da oração.
Em segundo lugar, podemos levar ajuda, com gestos de caridade, tanto a quem vive próximo de nós como a quem está longe, graças aos inúmeros organismos caritativos da Igreja. A Quaresma é um tempo propício para mostrar este interesse pelo outro, através de um sinal – mesmo pequeno, mas concreto – da nossa participação na humanidade que temos em comum.
E, em terceiro lugar, o sofrimento do próximo constitui um apelo à conversão, porque a necessidade do irmão recorda-me a fragilidade da minha vida, a minha dependência de Deus e dos irmãos. Se humildemente pedirmos a graça de Deus e aceitarmos os limites das nossas possibilidades, então confiaremos nas possibilidades infinitas que tem de reserva o amor de Deus. E poderemos resistir à tentação diabólica que nos leva a crer que podemos salvar-nos e salvar o mundo sozinhos.
Para superar a indiferença e as nossas pretensões de omnipotência, gostaria de pedir a todos para viverem este tempo de Quaresma como um percurso de formação do coração, a que nos convidava Bento XVI (Carta enc. Deus caritas est, 31). Ter um coração misericordioso não significa ter um coração débil. Quem quer ser misericordioso precisa de um coração forte, firme, fechado ao tentador mas aberto a Deus; um coração que se deixe impregnar pelo Espírito e levar pelos caminhos do amor que conduzem aos irmãos e irmãs; no fundo, um coração pobre, isto é, que conhece as suas limitações e se gasta pelo outro.
Por isso, amados irmãos e irmãs, nesta Quaresma desejo rezar convosco a Cristo: «Fac cor nostrum secundum cor tuum – Fazei o nosso coração semelhante ao vosso» (Súplica das Ladainhas ao Sagrado Coração de Jesus). Teremos assim um coração forte e misericordioso, vigilante e generoso, que não se deixa fechar em si mesmo nem cai na vertigem da globalização da indiferença.
Com estes votos, asseguro a minha oração por cada crente e cada comunidade eclesial para que percorram, frutuosamente, o itinerário quaresmal, enquanto, por minha vez, vos peço que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!
Vaticano, Festa de São Francisco de Assis,
4 de Outubro de 2014.
FRANCISCUS PP.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Papa sugere pedir o “dom das lágrimas” no início da Quaresma

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“O choro está presente em nossas orações?”, questionou o Papa Francisco, que sugeriu aos fiéis que peçam a Deus o dom de chorar
André Cunha
Da redação
A Igreja Católica inicia nesta Quarta-feira de Cinzas, 18 de fevereiro, o tempo litúrgico da Quaresma – período de 40 dias em preparação para a Páscoa, a maior de todas as celebrações católicas.
Em Roma, o Papa Francisco abriu esse tempo com a Missa das Cinzas, iniciada com uma procissão penitencial que partiu da Basílica de Santo Anselmo até a Basílica de Santa Sabina, lugar onde ocorreu a Eucaristia.
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Procissão penitencial marca início da Missa das Cinzas, presidida pelo Papa, em Roma / Reprodução CTV
Dom das lágrimas
“No início desta Quaresma, nos fará bem pedir o dom das lágrimas, e assim tornar nosso caminho de conversão sempre mais autêntico e sem hipocrisia”. Francisco fez esta reflexão fundamentado na mensagem da Liturgia desta Quarta-feira de Cinzas, onde o profeta Joel, concentrado na oração dos sacerdotes, observa que esta deve ser acompanhada pelas lágrimas.
Neste sentido, o Papa recomendou que se questione: “Eu choro? O Papa chora? Os cardeais choram? Os consagrados choram? Os sacerdotes choram? O choro está presente em nossas orações?”. “Essa é mensagem do Evangelho de hoje”, afirmou.
Segundo o Papa, os hipócritas – criticados por Jesus no Evangelho de hoje – não sabem chorar, esqueceram como se chora e não pedem o dom das lágrimas. Opondo-se a eles, Francisco disse como se deve viver as boas obras do jejum, esmola e oração.
“Jesus nos convida a realizar estas obras sem ostentação alguma e a confiar unicamente na recompensa do Pai ‘que vê no segredo’ (Mt 6,4.6.18)”, explicou.
Misericórdia incansável
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“A reconciliação entre nós e Deus é possível graças à misericórdia do Pai que, por amor a nós, não hesitou em sacrificar o seu Filho unigênito”, disse o Papa / Foto: Reprodução CTV
Francisco destacou ainda que o Senhor nunca se cansa de ter misericórdia. “Convida-nos a voltar a Ele com um coração novo, purificado do mal, purificado pelas lágrimas, para tomar parte da sua alegria”.
“Com essa consciência, começamos confiantes e alegres o itinerário quaresmal. Maria Imaculada apoie o nosso combate espiritual contra o pecado, acompanhe-nos neste momento favorável, para que possamos alcançar e cantar juntos a exultação da vitória na Páscoa da Ressurreição”, disse o Papa Francisco.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Quaresma é tempo de graça e bênçãos em nossa vida

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Que este tempo da Quaresma nos ajude a vivermos um tempo propício de conversão, de graça, de mudança de mentalidade, de hábitos e comportamentos!

Nós, hoje, começamos com toda a alegria do nosso coração esse tempo maravilhoso e abençoado, que se chama o tempo da Quaresma, tempo da graça de Deus para conosco. Algumas pessoas olham esse tempo quaresmal como uma coisa pesada, como um tempo de muito sacrifício, penoso e triste. Mas, na verdade, não é assim! Esse tempo nos conduz ao tempo da graça, que nos ajuda a refletir e a meditar sobre as profundezas maravilhosas da nossa fé à luz da ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.
O dia de hoje é um convite para nos voltarmos ao silêncio, à meditação, ao desprendimento, à conversão, que consiste na verdadeira mudança do coração e da mente. Essa é a penitência que somos chamados a viver durante esse tempo. E por isso nós vimos tantas pessoas durante esses dias “rasgarem” suas roupas, mas nós não fazemos isso. O que nós fazemos hoje é rasgar o nosso coração para Deus e dizer: ”Senhor, queremos ser inteiramente Seus, queremos inteiramente entregar nossa vida em Suas mãos”.
O caminho para o tempo da Quaresma, proposto pela Igreja, se baseia em três elementos da fé e da religião: o jejum, a esmola e a oração. O jejum, pois não podemos ser escravos dos alimentos, não podemos ser escravos dos prazeres e dos instintos; pelo contrário, precisamos nos alimentar bem, mas sem nos esquecer de que milhões de pessoas, mundo afora, estão passando fome. Por isso, quando nós sabemos nos privar de algum alimento, por algum sacrifício, pela união com Deus, nós estamos afirmando que Deus é primeiro em nossa vida e não o alimento que nós temos.
A esmola, porque traduzimos esmola por ”caridade”, para cuidar do outro, para tirar daquilo que é nosso em favor daqueles que não têm, dos mais sofridos e dos mais necessitados. Como é importante saber repartir aquilo que nós temos, por isso, a esmola é bem ligada ao jejum. Não adianta só deixarmos de comer, é preciso pegar aquilo que não comemos ou nos privamos e repartir com aqueles que não têm. É preciso que nos preocupemos e cuidemos do outro que sofre e necessita de nós.
No entanto, o jejum e a esmola devem ser guiados pela oração, pela nossa relação pessoal com Deus, para nos voltarmos ao nosso interior a fim de conversar com o Pai. A oração feita na intimidade do nosso quarto, a oração na qual o nosso coração está inteiramente voltado para o Nosso Deus.
Que esse tempo da Quaresma nos ajude a vivermos um tempo propício de conversão, de graça, de mudança de mentalidade, de hábitos e comportamentos! Se praticarmos estes elementos: a oração, a esmola e o jejum, vividos com a intensidade da nossa alma, a Quaresma será um tempo de graça e de bênçãos em nossa vida.

terça-feira, 8 de março de 2011

Tempo da Quaresma

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Do Blog: diocesedemossoro.blogspot.com
A palavra Quaresma vem do latim quadragésima e é utilizada para designar o período de quarenta dias que antecedem a festa ápice do cristianismo: a ressurreição de Jesus Cristo, comemorada no famoso Domingo de Páscoa. Esta prática data desde o século IV.
Na quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas, dia 09, até a missa da Ceia do Senhor, em 24 de abril.  O período é reservado para a reflexão, a conversão espiritual. Ou seja, o católico deve se aproximar de Deus visando o crescimento espiritual. Os fiéis são convidados a fazerem uma comparação entre suas vidas e a mensagem cristã expressa nos Evangelhos. Esta comparação significa um recomeço, um renascimento para as questões espirituais e de crescimento pessoal. O cristão deve intensificar a prática dos princípios essenciais de sua fé com o objetivo de ser uma pessoa melhor e proporcionar o bem para os demais.


Conversão, fé, mudança de vida e um planeta no qual vigore o desenvolvimento sustentável e a vida é respeitada como dom em todas as suas manifestações. Todos esses temas estão interligados e é para mostrar estes vínculos estreitos que se dedica a Campanha da Fraternidade (CF) deste ano.
O tema da CF 2011 é "Fraternidade e a Vida no Planeta", com o lema "A criação geme em dores de parto" (Rm 8, 22). Desde 1964, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propõe anualmente algum tema de relevância para auxiliar a caminhada dos católicos durante os quarenta dias que separam a Quarta-feira de Cinzas da Páscoa – denominado "Quaresma" no calendário litúrgico.
O secretário-geral da CNBB, Dom Dimas Lara Barbosa, recorda a originalidade da Campanha, que "pretende sempre suscitar debate e se tornou um dos principais instrumentos de conscientização que a Igreja dispõe em nível nacional. É um produto genuinamente brasileiro. Não existe nada similar em outros países. É a nossa maneira concreta de viver a Quaresma", explica.
Campanha quer cooperar para que todos os cristãos possam fazer uma caminhada de conversão pessoal e celebrar com grande alegria a Páscoa de Jesus", destaca o secretário-executivo da CF, padre Luiz Carlos Dias.
A temática ambiental/ecológica é trabalhada em diversos níveis, desde governo até comunidades. No entanto, qual é a diferença que aparece quanto o assunto é tratado no terreno da Igreja? "Fazemos isso a partir de nossa visão de pessoa e da própria Doutrina Social da Igreja (DSI). Nosso diferencial é a finalidade da Quaresma e as reflexões realizadas à luz da fé – nos interessa perceber o que a fé, a Tradição, a Palavra de Deus têm a nos dizer", relata Dom Dimas.